Na maioria das empresas, o escopo 3 representa 70 a 90 % do total das emissões de GEE — e é o mais difícil de mapear. Conhecer as 15 categorias do GHG Protocol e priorizar corretamente é o que separa um inventário robusto de um exercício de planilha.
Por que o escopo 3 é estratégico
CDP, SBTi e a diretiva europeia CSRD exigem cobertura crescente do escopo 3. Bancos estão começando a exigir o escopo 3 das instituições financeiras (PCAF) e o efeito cascata chega rapidamente nos fornecedores. Empresas que não mapeiam ficam vulneráveis a metas externas, exigências de clientes corporativos e regulação futura.
Upstream — antes da empresa
São 8 categorias upstream: (1) bens e serviços comprados — quase sempre a maior; (2) bens de capital; (3) atividades de combustíveis e energia; (4) transporte e distribuição upstream; (5) resíduos da operação; (6) viagens a negócio; (7) deslocamento casa-trabalho; (8) ativos arrendados upstream.
Downstream — depois da empresa
São 7 categorias downstream: (9) transporte e distribuição downstream; (10) processamento dos produtos vendidos; (11) uso dos produtos vendidos — crítico para fabricantes de equipamentos energéticos; (12) fim de vida dos produtos vendidos; (13) ativos arrendados downstream; (14) franquias; (15) investimentos.
Métodos de cálculo
GHG Protocol aceita três níveis: spend-based (mais simples, usa o gasto em R$ multiplicado por fator monetário), average-data (usa massa/volume × fator unitário) e supplier-specific (usa dado primário do fornecedor, máxima precisão). A estratégia comum é começar spend-based em todas as categorias materiais e migrar progressivamente para supplier-specific nas categorias mais relevantes.
Priorização e screening
Antes de coletar dado, faça um screening: estime cada categoria pelo método mais simples disponível e identifique as 3–5 que respondem por 80 % do escopo 3. Concentre o esforço de coleta primária nelas. As demais ficam em métodos mais simples, com nota explicativa no relatório — é prática aceita por CDP e SBTi.

