Investigação Ambiental

Amostragem na Investigação Confirmatória: solo, água subterrânea e soil vapor sem erros

Passo a passo da coleta na etapa confirmatória, com cuidados de campo, cadeia de custódia e escolha de laboratório acreditado.

A qualidade da Investigação Confirmatória depende mais da amostragem do que do laboratório. Uma coleta mal executada invalida o laudo — e o retrabalho custa muito mais do que fazer certo da primeira vez. Veja o passo a passo da amostragem confirmatória de solo, água subterrânea e soil vapor conforme as normas ABNT.

Preparação de campo

Antes de coletar, a equipe: (1) confere calibração de sondas multiparâmetros (pH, condutividade, OD, ORP, temperatura); (2) organiza frascos por parâmetro, com preservação adequada e resfriamento; (3) verifica cadeia de custódia impressa; (4) descontamina equipamentos entre pontos. Frasco errado ou preservação inadequada é motivo de rejeição imediata do resultado.

Amostragem de solo

Solo é coletado em profundidades definidas pelo modelo conceitual — geralmente 0–20 cm, meio de perfil e franja capilar. Para semivoláteis e metais, pode-se homogeneizar em bandeja de inox descontaminada. Para voláteis (BTEX, VOCs), NUNCA homogeneizar: usar EnCore Sampler ou metanol em campo, coletar direto do testemunho e resfriar imediatamente a 4 °C. Solos oleosos exigem frasco âmbar com septo de PTFE.

Amostragem de água subterrânea por baixa vazão (low-flow)

O padrão-ouro é a técnica low-flow (baixa vazão, USEPA):

  • Bomba peristáltica ou bladder posicionada no meio do intervalo filtrante.
  • Vazão típica de 100–500 mL/min — sem rebaixar o poço.
  • Medição contínua de pH, condutividade, OD, ORP e temperatura até estabilização (variação < 10 % por 3 leituras consecutivas).
  • Somente após estabilização, coleta nos frascos, iniciando pelos parâmetros mais voláteis (BTEX, VOC).
  • Registro de vazão, tempo e parâmetros no memorial de campo.

Amostragem de soil vapor

Para VOCs em áreas com potencial exposição indoor (edificações sobre a pluma), soil vapor é obrigatório. A coleta usa canisters Summa evacuados a -30 inHg, com controlador de fluxo calibrado para 100–200 mL/min, coleta por 4 a 8 horas. Poços de gases seguem NBR 15.495-2. A amostragem exige ensaio de estanqueidade antes do início — vazamento invalida o dado.

Cadeia de custódia

Cada frasco recebe etiqueta única e é registrado no formulário de cadeia de custódia: data, hora, ponto, coletor, parâmetro, preservação. Os frascos são lacrados no ponto, transportados em cooler com gelo (temperatura de recebimento no laboratório deve ser ≤ 6 °C) e entregues com assinatura de recepção. Ruptura da cadeia — frasco sem etiqueta, gelo derretido, tempo de trânsito acima do limite — invalida a amostra.

Descontaminação e QA/QC

Entre pontos, todos os equipamentos que contatam a amostra são descontaminados: lavagem com detergente Alconox, enxágue com água deionizada, enxágue final com metanol ou hexano para semivoláteis. O plano amostral inclui brancos de equipamento (uma amostra a cada 20 pontos), duplicatas cegas (uma a cada 10) e brancos de viagem para VOCs — sem QA/QC, o dado analítico não é defensável tecnicamente perante o órgão ambiental.

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